Mato Grosso registrou 53 feminicídios ao longo de 2025, um cenário onde a sensação de “posse” e a brutalidade marcam a maioria das ocorrências. Dados divulgados pela Polícia Judiciária Civil (PJC) ontem (2), no Relatório de mortes violentas de mulheres e meninas por razão de gênero – 2025, revelam que, apesar do índice de 100% de resolução dos casos por parte das autoridades, a violência doméstica segue fazendo vítimas dentro de casa.
Conforme o levantamento, 72% das mulheres assassinadas no ano passado foram mortas dentro de suas próprias residências. O uso de armas brancas, como facas e canivetes, foi registrado em 43% dos episódios, evidenciando o ódio e a proximidade física dos agressores no momento do crime. A motivação principal reforça o controle masculino: 66% dos assassinos mataram por ciúmes ou por não aceitarem o fim do relacionamento.
Perfil dos agressores
A estatística mostra que em 79% dos casos, o carrasco era o marido, namorado ou ex-companheiro da vítima. Os crimes se espalharam por 36 municípios mato-grossenses, sendo junho o mês mais letal do calendário, concentrando 19% do total de mortes registradas em 2025.
Até o momento, 47 dos 56 autores e comparsas identificados pela Polícia Civil já estão presos. O relatório também aponta que o remorso ou o medo da punição levou cinco agressores ao suicídio imediatamente após o crime.
Outros dois morreram por causas diversas durante o processo. Atualmente, apenas um suspeito de feminicídio permanece foragido no Estado, enquanto o caso de uma mulher trans morta em Nova Mutum segue sob investigação específica.
O relatório conclui que, embora a resposta do estado seja rápida na identificação dos culpados, a prevenção dentro do ambiente doméstico continua sendo o maior desafio para reduzir o número de feminicídios em Mato Grosso.