O câncer colorretal — que engloba tumores de cólon e reto — é hoje o terceiro tipo mais frequente no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 53.810 novos casos por ano no triênio 2026-2028, o equivalente a 10,4% de todos os diagnósticos oncológicos.
Durante o Março Azul-Marinho, campanha nacional de conscientização ao câncer colorretal, a Secretaria De Saúde, aqui de Itanhangá, reforça que mudanças no estilo de vida moderno e a dificuldade de acesso ao rastreamento estão entre os principais fatores por trás do crescimento dos casos — inclusive entre pessoas com menos de 50 anos.
O câncer colorretal é uma doença multifatorial e a maior parte dos casos está relacionada ao estilo de vida atual.
“O sedentarismo, a alimentação rica em carnes processadas e ultraprocessados, o baixo consumo de fibras, a obesidade, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool elevam significativamente o risco. Doenças inflamatórias intestinais também estão associadas ao desenvolvimento da doença”.
Nesse cenário, a obesidade merece atenção especial. O excesso de tecido adiposo é metabolicamente ativo e está relacionado a alterações hormonais e à inflamação crônica — condições que favorecem mudanças celulares e aumentam o risco oncológico.
Um dos principais desafios é que o câncer colorretal pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais. O tumor geralmente se origina a partir de pólipos — pequenas lesões na mucosa do intestino — que podem permanecer assintomáticos por anos.
“O intestino tem grande capacidade de adaptação. Muitas alterações passam despercebidas até que a doença esteja em estágio mais avançado. Por isso o rastreamento é essencial, mesmo quando não há sintomas”.
Entre os principais sinais de alerta estão: alteração persistente no hábito intestinal(diarreia ou constipação); fezes mais finas; presença de sangue nas fezes; dor abdominal contínua; sensação de evacuação incompleta e anemia sem causa aparente.
A recomendação atual é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco adicionais. Para quem tem histórico familiar de primeiro grau, a orientação pode ser começar cerca de 10 anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado.
Entre os métodos de detecção estão a pesquisa de sangue oculto nas fezes, testes imunológicos fecais e exames mais recentes baseados em DNA fecal. No entanto, a colonoscopia continua sendo considerada o padrão-ouro, pois além de diagnosticar, permite remover pólipos durante o próprio procedimento. Rastreamento não é apenas encontrar câncer, é impedir que ele se desenvolva.
Quando diagnosticado precocemente, o câncer colorretal pode apresentar taxas de cura superiores a 90%. Em estágios avançados, essas chances diminuem significativamente.
Tratamento
O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Nos tumores de reto, por exemplo, muitas vezes a quimiorradioterapia é indicada antes da cirurgia para reduzir o tamanho da lesão.
Atualmente, a abordagem é cada vez mais individualizada, considerando características moleculares do tumor e as condições clínicas do paciente. Técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica, têm reduzido complicações e tempo de recuperação. Além disso, terapias-alvo e imunoterapia ampliaram as possibilidades de tratamento em casos selecionados, melhorando o prognóstico.
O câncer colorretal é uma das doenças com maior potencial de prevenção e cura quando detectado cedo. è preciso avançar não apenas em tecnologia, mas também em educação em saúde.