Com foco na prevenção a longo prazo contra a violência e a pobreza, o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), anunciou, durante coletiva de imprensa nessa quarta-feira (1), a criação de um programa de qualificação e inserção no mercado de trabalho voltado exclusivamente para jovens mulheres.

A iniciativa permitirá que adolescentes, a partir dos 14 anos, ingressem como menores aprendizes em repartições públicas estaduais e municipais. (Veja o vídeo no final da matéria).

O objetivo do projeto é promover a emancipação feminina o mais cedo possível. Além das vagas, o governo criará cotas e estímulos para que as prefeituras também contratem essas jovens.

Para Pivetta, a capacidade de gerar a própria renda é o caminho definitivo para que a mulher tenha autonomia e poder de decisão sobre sua própria vida.

"O investimento na vida da mulher deve começar desde o início. Aos 14 anos, que é o legalmente possível, queremos criar oportunidade de trabalho em ambiente seguro para que elas desenvolvam suas capacidades. Através do trabalho e da renda, elas não precisarão depender de ninguém", explicou o governador, reforçando que a independência financeira é a principal barreira contra a submissão e a violência doméstica.

Na oportunidade, o govenador também anunciou a meta de construir 60 mil casas populares, superando a última entrega de 40 mil imóveis. O diferencial da proposta está no foco social, já que o subsídio do Estado será destinado prioritariamente para mulheres em situação de vulnerabilidade e mães solo.

"Queremos beneficiar as mães que não têm moradia, as mães solteiras e aquelas que precisam desse apoio para sair de situações difíceis", destacou Pivetta.

Segundo ele, ocorre na próxima quarta-feira (8) a apresentação detalhada das ações de segurança pública voltadas a frear os índices de feminicídio e agressões domésticas no estado.

Diferente de uma secretaria isolada, a estrutura terá atuação transversal, permeando todas as pastas do governo para garantir suporte integral às vítimas.

"Vamos atacar de todas as formas. O Estado não pode estar dentro do ambiente privado, mas investiremos na emancipação da mulher para que ela tenha autonomia e não dependa de agressores", afirmou.

Números da violência

Mato Grosso figura historicamente entre os estados com as maiores taxas de feminicídio do país. Os dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) de 2024 mostram 99 mortes de mulheres, sendo 47 casos de feminicídio e 52 homicídios dolosos.

No cotidiano, os números de agressões são alarmantes, com 9.287 casos de lesão corporal e 19.018 registros de ameaça. Além da violência física, o controle psicológico e a perseguição, somando 2.221 ocorrências de stalking e 2.151 casos de dano emocional, evidenciando que milhares de mulheres vivem sob vigilância e humilhação constante em território mato-grossense.