Um relatório da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que o soldado da Polícia Militar Rodrigo Lima Souza, preso por suspeita de tentar matar a tiros o empresário Alex Sandro Carvalho da Cunha, mantinha um relacionamento extraconjugal com a esposa da vítima. Segundo os investigadores, a relação afetiva pode ter sido a motivação para o atentado ocorrido em plena luz do dia, em Primavera do Leste.
O crime ocorreu em 10 de junho de 2025, em frente ao estabelecimento comercial da vítima. Conforme o boletim de ocorrência, Alex estava próximo à loja quando um motociclista se aproximou e efetuou disparos.
O empresário foi atingido abaixo da linha da cintura, socorrido e encaminhado ao Hospital São Lucas. Ele sobreviveu e, segundo as informações registradas à época, não corria risco de morte.
O autor fugiu em uma motocicleta escura, semelhante a uma Honda CG Titan. Testemunhas relataram que ele utilizava capacete, máscara escura e blusa cinza de manga longa.
Relação extraconjugal entrou na mira da investigação
Durante o avanço das investigações, a Polícia Civil analisou dados extraídos de um aparelho celular apreendido com Rodrigo.
Segundo o relatório, embora houvesse limitações no material disponível, os investigadores encontraram conversas que indicariam uma relação afetiva extraconjugal entre o policial militar e a esposa do empresário baleado.
A análise aponta que os dois demonstravam intimidade e trocavam mensagens de caráter afetivo. Conforme a investigação, a relação teria continuado mesmo depois da tentativa de homicídio.
Para a Polícia Civil, os elementos levantados colocaram o relacionamento como uma das possíveis motivações do crime.
Celular teria sido trocado após atentado
Outro ponto destacado pela investigação é que Rodrigo teria substituído o próprio telefone pouco depois do atentado.
O aparelho posteriormente apreendido e submetido à perícia, um Xiaomi Redmi 13x, continha informações somente a partir dos dias 16 ou 17 de junho de 2025, ou seja, depois do crime ocorrido no dia 10.
Apesar disso, os investigadores conseguiram identificar elementos considerados relevantes para a apuração da relação entre o policial e a esposa da vítima.
“Meu coração chega dispara”
A Polícia Civil também identificou uma conversa entre Rodrigo e um operador do Centro Integrado de Monitoramento de Primavera do Leste (Cemip), realizada 13 dias após o atentado.
Segundo o relatório, o diálogo levantou suspeitas de que informações sobre o andamento da investigação poderiam estar sendo repassadas ao policial.
Em uma das mensagens atribuídas ao operador, ele afirma que a situação estava “tudo quieto e meio arquivado” e comenta sobre a dificuldade de estabelecer uma rota sem determinadas informações. Rodrigo teria respondido: “Meu coração chega dispara kkk”.
Para os investigadores, o momento em que a conversa ocorreu e o conhecimento demonstrado sobre a apuração justificam aprofundar as diligências para verificar eventual favorecimento pessoal.
Prisão preventiva
Rodrigo foi preso em 23 de julho de 2025, durante cumprimento de ordem judicial acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar.
Segundo a investigação, os indícios da relação extraconjugal e as mensagens encontradas no aparelho foram considerados elementos relevantes na representação pela prisão preventiva.
O caso também ganhou novos desdobramentos no âmbito da Operação Sangue Frio, que revelou elementos relacionados aos bastidores da investigação.
As apurações continuam para esclarecer as circunstâncias do atentado, a possível motivação e a eventual participação ou favorecimento de outras pessoas.