Entre 2016 e 2025, o Brasil registrou um recorde histórico de 806.011 acidentes e 27.486 mortes no trabalho durante o período analisado. Só no último ano, foram 3.644 óbitos. Esses dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que Mato Grosso vive uma situação de duplo alerta. Diferente de estados como São Paulo, que possuem números absolutos altos devido ao tamanho da população, o estado combina alta frequência de acidentes com uma gravidade extrema. Esse perfil de risco é impulsionado pela economia local, focada no agronegócio, transporte de commodities e obras de infraestrutura, setores que pontuam alto nas estatísticas.

Os números do governo federal colocam o estado como a 2ª maior taxa de letalidade do Brasil (9,24). Isso significa que, a cada 1.000 acidentes, mais de nove trabalhadores morrem, praticamente o dobro da média nacional. É também o 3º estado com maior taxa de incidência (240,04), indicando que o trabalhador mato-grossense sofre acidentes com muito mais frequência que a média do Brasil.

Além disso, embora o setor de "saúde" lidere em número de acidentes devido ao volume de trabalhadores, o agronegócio e logística dominam as estatísticas de mortalidade e gravidade. Transporte rodoviário é o setor que mais mata no Brasil, acumulando 2.601 mortes, são 260 motoristas mortos por ano nesse subsetor específico. Motorista de caminhão é a ocupação mais perigosa do país, com 4.249 óbitos em dez anos, média de mais de uma morte por dia. 

Setores de apoio ao agro como a aviação agrícola também estão no ranking das maiores taxas de letalidade do país, indicando que acidentes nesse setor são quase sempre fatais. Os frigoríficos seguem a lista, apresentando taxas de incidência altíssimas. 

O relatório conclui que embora o Sudeste concentre o maior volume de acidentes, Mato Grosso destaca-se negativamente por possuir o maior risco ocupacional combinado do Brasil. A força do agronegócio e da logística de transporte no estado reflete diretamente na gravidade dos acidentes: enquanto setores de serviços geram muitos afastamentos, as atividades ligadas ao agro e ao transporte de carga em MT resultam em uma taxa de mortalidade que é o dobro da média brasileira.