Uma estudante de 20 anos, em Nova Déli, na Índia, precisou passar por uma cirurgia depois que os médicos descobriram uma massa de cabelo de 1,16 quilo ocupando grande parte de seu estômago.
A jovem, que sofria de tricofagia (transtorno psicológico caracterizado pelo hábito compulsivo de engolir fios de cabelo), vinha ingerindo os próprios fios de cabelo desde os nove anos de idade.
A paciente procurou atendimento médico no Manipal Hospital de Dwarka, sudoeste da capital indiana, depois de enfrentar três dias de fortes dores abdominais, náuseas e episódios frequentes de vômito. Além disso, ela relatou sofrer de perda de apetite, emagrecimento e fadiga.Durante os exames, foi identificada uma massa rígida na região superior do abdômen e, por meio de endoscopia, foi possível confirmar a presença de um grande tricobezoar, nome dado ao acúmulo de cabelo ingerido que se compacta no sistema digestivo.
O material havia assumido o formato de um “J” e se estendia da junção entre o esôfago e o estômago até o início do intestino delgado.
De acordo com os médicos, o cabelo não pode ser digerido pelo organismo e, por isso, com o passar do tempo, os fios ingeridos vão se acumulando no estômago e chegam a formar uma massa mais densa, que pode prender restos de alimentos e causar complicações graves.
Inicialmente, a equipe optou por remover o tricobezoar por meio de endoscopia, mas o tamanho da estrutura impossibilitou a retirada completa.
Diante disso, os cirurgiões recorreram a uma abordagem cirúrgica e, por meio de uma pequena incisão abdominal, conseguiram extrair toda a massa com segurança.
A cirurgia, segundo a equipe médica, foi desafiadora porque todo o estômago estava praticamente tomado pelo acúmulo de cabelo, deixando pouco espaço para manipulação, o que aumentaria o risco de lesões na parede do órgão.
Após o procedimento, a jovem apresentou sensível melhora nos sintomas, recuperou gradualmente o apetite e a capacidade de se alimentar normalmente.
Especialistas ressaltam que, além do tratamento físico, casos de tricofagia — também conhecida como Síndrome de Rapunzel — podem exigir acompanhamento psicológico para reduzir o risco de recorrência do comportamento.