Um fêmur de 7,2 milhões de anos, encontrado na Bulgária, tem feito cientistas questionarem se nossos primeiros ancestrais realmente teriam surgido na África.

O artigo publicado na revista Palaeodiversity and Palaeoenvironments detalha que o fóssil foi escavado no sítio arqueológico de Azmaka, próximo à cidade de Chirpan, na Planíce da Trácia Superior. Segundo a equipe ele é datado de 7,2 milhões de anos e apresenta características associadas aos primeiros hominídeos.

O osso pertence a um indivíduo do gênero Graecopithecus sp., um primata pré-histórico que desde 2017 sua classificação como ancestral humano vem sendo debatido, quando fragmentos de mandíbula e dentes do grupo foram encontrados na Grécia. O novo fóssil fornece pistas e pode ajudar a descobrir como esse animal se locomovia.

Segundo os cientistas, o fêmur encontrado possui características anatômicas compatíveis com a locomoção bípede, o colo femoral alongado e orientado para cima, pontos específicos de inserção muscular e uma espessura particular da camada externa do osso ajuda a validar que eles eram bípedes, visto que, essas características são semelhantes em ancestrais humanos nos humanos modernos.

O paleontólogo pesquisador do Museu Nacional de História Natural da Bulgária e co-autor do artigo, Nikolai Spassov, disse em um comunicado que a morfologia externa e interna do fêmur apresenta semelhanças com fósseis de ancestrais humanos bípedes.

É bem provável que o osso tenha pertencido a uma fêmea que pesava cerca de 24 quilos e que viveu às margens de um rio em um ambiente de savana. O fêmur possui uma combinação de traços típicos de grandes símios e de bípedes posteriores, sugerindo forma intermediária de locomoção, indicando uma transição locomotiva.

História mudada
Atualmente, o título de hominídeo mais antigo pertence ao gênero Orrorin sp., descoberto no Quênia e datado de aproximadamente 7 milhões de anos. Se o Graecopithecus sp. for confirmado como membro da linhagem humana, ele antecede o Orrorin sp. e deslocaria a origem dos hominídeos para a Eurásia.

Segundo pesquisadores, o Graecopithecus sp. provavelmente descende de primatas que viviam nos Bálcãs e na Anatólia entre 8 e 9 milhões de anos atrás. As mudanças climáticas ocorridas entre 8 e 6 milhões de anos atrás podem ter desempenhado um papel fundamental no processo evolutivo.

A redução das florestas teria pressionado diversos primatas a se adaptarem a ambientes mais abertos, favorecendo a locomoção terrestre e o surgimento dos bípedes. Essas mudanças ambientais também teriam impulsionado ondas de migração de mamíferos euroasiáticos para a África, processo que ajudou a moldar a fauna das savanas africanas atuais, repercutiu a revista Galileu.

Para a paleontóloga, Madelaine Bohme os grandes símios podem ter seguido esse mesmo caminho, migrando da Eurásia para o continente africano, onde mais tarde surgiriam formas mais reconhecíveis da linhagem humana.

Se a interpretação estiver correta, os primeiros representantes da linhagem humana teriam surgido na Eurásia e depois se estabelecido na África, onde evoluíram os gêneros hominídeos posteriores.

Apesar do entusiasmo pela descoberta, os pesquisadores deixaram claro que a hipótese ainda precisa ser testada.