A combinação entre temperaturas elevadas e períodos de menor umidade pode aumentar a incidência de mosca-branca, percevejos e lagartas nas lavouras de soja de Mato Grosso durante a safra 2026/27.

O alerta está relacionado à previsão de maior intensidade do El Niño entre outubro e dezembro de 2026, com possibilidade de permanência até abril de 2027. No Centro-Oeste, o fenômeno pode provocar chuvas mais espaçadas e ampliar os períodos de calor.

Essas condições favorecem a reprodução e aceleram o ciclo de desenvolvimento dos insetos. A menor umidade também pode reduzir a atuação de fungos entomopatogênicos, organismos que infectam determinadas pragas e ajudam no controle natural das populações dentro das lavouras.

A mosca-branca está entre as principais preocupações. Além de retirar nutrientes das plantas, o inseto pode favorecer o aparecimento da fumagina, doença caracterizada por uma camada escura sobre as folhas que prejudica a fotossíntese e compromete o desenvolvimento da soja.

Os percevejos também exigem atenção porque atacam diretamente as vagens e os grãos. Uma infestação elevada pode provocar perda de peso, redução da qualidade das sementes e queda na produtividade.

Já as lagartas causam desfolha e podem atingir estruturas reprodutivas da planta. O risco aumenta quando as condições climáticas aceleram o ciclo dos insetos e dificultam a identificação das infestações ainda em estágio inicial.

O impacto pode ser maior em lavouras já afetadas pela falta de chuva. Plantas submetidas ao estresse hídrico apresentam menor capacidade de recuperação e podem sofrer perdas mais severas quando atacadas simultaneamente por diferentes pragas.

O monitoramento frequente das áreas será essencial para identificar os focos no começo e evitar que as populações atinjam níveis capazes de provocar danos econômicos. A estratégia também permite definir o momento adequado para o controle, reduzindo aplicações desnecessárias e o risco de resistência aos defensivos.

As condições podem variar entre as regiões produtoras de Mato Grosso. Por isso, o planejamento da safra deverá considerar o comportamento das chuvas, as temperaturas e o histórico de ocorrência de pragas em cada propriedade.