Guias que atuam no Monte Everest estão sendo acusados de envenenar alpinistas. O objetivo seria forçar resgates de helicóptero como parte de um esquema milionário de fraude de seguros.
Segundo o Departamento Central de Investigação da Polícia do Nepal, as vítimas são induzidas de duas formas. A primeira envolve os turistas que não querem descer a montanha a pé, já que expedições podem durar até três semanas, e são orientados a simular emergências médicas para acionar o envio de helicópteros.
Outra forma envolve os guias levarem os montanhistas a acreditar que estão passando por uma emergência médica. Em grandes altitudes, como no Monte Everest, sintomas como dor de cabeça e formigamento são comuns e geralmente resolvidos com descanso e hidratação.
Ainda assim, alguns guias afirmariam que a única saída é deixar o local imediatamente. Em alguns casos, os profissionais estariam induzindo os sintomas com comprimidos.
As cobranças dos resgates são feitas por pessoa, mesmo quando o helicóptero transporta vários passageiros. Assim, um voo que custaria cerca de R$ 20 mil pode chegar a R$ 61 mil.
Ainda de acordo com as autoridades, hospitais também participariam do esquema, com falsificação de relatórios médicos. As instituições ficariam com até 25% das indenizações. O prejuízo estimado chega a R$ 103 milhões entre 2022 e 2025.
Ao The Kathmandu Post, o chefe da CIB, Manoj Kumar KC, afirmou que a falta de punição permitiu a continuidade das fraudes, identificadas desde 2018. Ao todo, 32 pessoas foram acusadas e nove já foram presas.