O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) criticou, nesta quinta-feira (10), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e afirmou que a atuação do grupo não pode ser confundida com a reforma agrária responsável pela ocupação e formação de diversas regiões de Mato Grosso e da Amazônia.

Morador de assentamento rural há mais de duas décadas e defensor da titulação de terras, Cattani destacou que a reforma agrária é um instrumento legítimo de distribuição de terras e renda, mas que, segundo ele, teve seu significado associado indevidamente ao MST. “A reforma agrária é magnífica. O que é uma desgraça é o MST”, afirmou.

Ao defender sua posição, Cattani lembrou que o Estatuto da Terra, uma das principais bases legais da política agrária brasileira, foi instituído em 1964, durante o regime militar. O Incra, responsável pela execução da política de reforma agrária no país, seria criado posteriormente, em 1970.

Para o deputado, a ocupação de áreas por meio de projetos de colonização e assentamentos rurais teve papel importante na formação de Mato Grosso, Rondônia, Pará e outras regiões da Amazônia e não deve ser associada automaticamente às ações promovidas pelo MST.

“Quando disserem para você que a reforma agrária do MST, diga que eles são mentirosos. Reforma agrária é do povo brasileiro”, declarou.

A crítica ocorre em um momento de novos conflitos envolvendo ocupações de propriedades rurais no país. Levantamento divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) contabilizou mais de 40 invasões de propriedades rurais no primeiro semestre de 2026, com participação do MST em parte significativa das ocorrências.

Cattani mantém a defesa da propriedade privada entre as principais pautas de sua atuação parlamentar. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, liderou iniciativas voltadas ao enfrentamento das invasões de terra e à discussão sobre segurança jurídica no campo e também nas áreas urbanas.

O deputado defende um modelo de reforma agrária que resulte na propriedade efetiva da terra para as famílias assentadas. O tema é abordado no livro “A Socialização da Reforma Agrária e a Distribuição da Miséria”, publicado por Cattani em 2020, no qual critica modelos que, em sua avaliação, mantêm assentados dependentes do Estado em vez de transformá-los em proprietários.

Para Cattani, separar reforma agrária de invasão de propriedade é fundamental para o debate. “Nós vamos continuar combatendo isso”, afirmou o candidato à reeleição.