Inquérito sobre a morte de tenente aponta que confronto foi “inventado”; Corregedoria da PM pede novas diligências

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

O corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Carlos Eduardo Pinheiro da Silva, assinou nesta segunda-feira (28) a homologação do inquérito que investigou a morte do tenente Scheifer, em maio deste ano, em um suposto confronto do Bope com uma quadrilha no município de Peixoto de Azevedo. De acordo com o coronel, a história do confronto foi inventada. O inquérito ainda deve ser encaminhado à Vara Especializada da Justiça Militar e será feito um pedido ao Ministério Público para que novas diligências sejam realizadas.

O inquérito chegou à Corregedoria da Polícia Militar no último dia 11 de agosto e passava por análise. Foram investigados quatro casos envolvendo um sargento, um cabo e um soldado do Bope, entre eles o da morte do tenente Scheifer.

De acordo com o coronel Pinheiro, o inquérito apontou quatro crimes praticados pela guarnição no dia da morte de Scheifer.

“No caso do tenente foram identificados vários crimes praticados pela guarnição do Bope, entre eles o de falsidade ideológica, prevaricação, comunicação falsa de crime e homicídio e inobservância de lei, regulamento ou instrução”, afirmou.

A história contada a princípio era de que o tenente Scheifer teria morrido em um confronto com uma quadrilha especializada em roubos a bancos. No entanto, o dia 06 de junho, após laudo de exame de balística, foi revelado que Scheifer morreu baleado por um fuzil de um dos policiais. O coronel Pinheiro afirmou que a história sobre o confronto foi inventada.

“Estão sendo acusados de falsidade ideológica em função de terem inventado uma história que não foi o fato. No dia do ocorrido, a guarnição estava fazendo patrulhamento na mata e escutaram um barulho vindo do outro lado da rodovia. Eles então se abrigaram e ficaram deitados por cerca de 40 minutos. No momento em que o tenente levantou, para eles retomarem a saída para a viatura, um dos policiais confundiu, achou que seria um dos bandidos e efetuou o disparo, aí eles inventaram o confronto pra tentar encobrir”, disse o coronel.

Além da morte do tenente Scheifer, o inquérito analisado pela Corregedoria também investiga outras três situações envolvendo os três militares. O primeiro foi sobre um confronto da guarnição com duas caminhonetes que fugiam, no distrito de União do Norte no dia 12 de maio. Houve troca de tiros, mas ninguém ficou ferido e os suspeitos nas caminhonetes fugiram.

No segundo caso foi identificado o paradeiro de uma das caminhonetes no dia 13 de maio. O suspeito abordado levou os policiais a uma residência, e chegando lá houve confronto e um homem morreu. Na casa foram encontrados dois fuzis, munições e matérias características de roubo a banco.

O terceiro caso foi o do tenente Scheifer e o último foi sobre um confronto da guarnição, no dia 15 de maio, em uma região de mata no distrito de União do Norte, onde um indivíduo, apenas identificado como “Pernambuco”, foi morto.

O coronel Pinheiro disse que o inquérito que chegou à corregedoria ainda está vago e por isso será necessária a realização de novas diligências para apurar melhor. Ele também pediu a fragmentação dos autos, para que cada homicídio seja investigado separadamente.

“Como ficou meio vago ainda o inquérito, por mais que seja bem feito, nós estamos opinando ao Ministério Público a devolução dos autos que tem na Corregedoria para o cumprimento novas diligências. Entre elas a reprodução simulada dos três homicídios, exame de balística dos projéteis que ficaram alojados no corpo do “Pernambuco”, para saber quem foi o policial que efetuou o disparo, e ao final estamos sugerindo ao MP e ao Poder Judiciário a fragmentação dos autos, para que seja instaurado um inquérito em separado para cada homicídio”, afirmou o coronel.

Fonte: Olhar Direto