Favorecida pelos efeitos do El Niño presença de mosca branca na soja preocupa

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Não bastasse a falta de umidade no solo, a irregularidade das chuvas em Mato Grosso vem favorecendo a proliferação da mosca branca nas lavouras de soja semeadas com cultivares mais tardias.

Conforme o setor produtivo, em algumas propriedades a estimativa é dobrar o número de pulverizações para tentar conter a pressão dos insetos.

Em Diamantino, região centro-sul de Mato Grosso, o produtor Flávio Kröling plantou 1,7 mil hectares de soja.

Ele conta que esperava colher 70 sacas por hectare nas áreas semeadas mais cedo, entretanto a falta de umidade no solo prejudicou o desempenho da cultura e a produtividade média não passou de 30 sacas por hectare.

Conforme Flávio, além da apreensão com a rentabilidade por conta das perdas nas lavouras precoces, a presença da mosca branca nos talhões mais tardios vem tirando ainda mais o seu sono.

“Está muito agressivo esse ano. A cada semana, dez dias, a gente está fazendo aplicação.

Geralmente fazíamos duas aplicações para mosca branca e agora está em torno de quatro aplicações.

É um ano muito complicado. A reta final dessas sojas mais tardias vai ser muito difícil segurar a pressão”.

O presidente do Sindicato Rural de Diamantino, Altemar Kröling, comenta que os produtores acreditavam que nesta safra 2023/24 fariam de uma a duas aplicações para o inseto.

“A mosca branca está batendo duro. O cenário está aí. Quatro, cinco, seis aplicações. Os produtos de controle também não estão tendo nas revendas, o estoque que tinha já foi usado”, frisa.

Inseto eleva custos
A preocupação dos produtores em Diamantino se estende por outros municípios do estado.

Em Tangará da Serra há propriedade utilizando, inclusive, avião pulverizador na tentativa de controlar a pressão do inseto nas lavouras, o que acaba elevando ainda mais os custos da safra.

“É um custo alto de avião, mas você tem que proteger a lavoura. Temos que deixar a lavoura limpa e tentar produzir”, diz o gerente de produção Adriano José da Silva.

O operador de pulverizador Welker Nogueira revela que chegou a trocar o turno de trabalho para tentar um controle mais efetivo contra a mosca branca. Porém, a estiagem prolongada frustrou a estratégia.

“Aqui ficou uns 50 dias sem chuva. Aí foi nessa época que acabou atrasando tudo.

Todas as folhas que você olha estão infectadas de mosca. Aí aumenta as baterias de aplicações.

O que nós fazíamos o ano passado com quatro, esse ano pode fazer com seis ou até com sete aplicações”.

Falta de umidade pode estar relacionada
Para especialistas, a principal explicação para a maior presença do inseto nas lavouras este ano pode estar relacionada à falta de umidade no solo causada pelo El Niño.

A forte presença do fenômeno no estado prejudicou o ritmo de plantio e acabou favorecendo a ponte verde e a disseminação da praga.

“Estamos observando populações maiores de mosca branca em todas as regiões de Mato Grosso. Algumas regiões fizeram plantio a partir da segunda quinzena de setembro, continuando esses plantios até novembro devido ao clima.

Isso faz com que essas infestações iniciais de mosca branca, acarretadas pelas condições de veranico, se deslocassem para essas áreas mais novas”, explica a pesquisadora da Fundação MT, Lucia Vivan.

De acordo com ela, esse deslocamento, que proporciona a manutenção da presença do inseto nas lavouras, acarreta o dano direto que é a sucção das seivas, além do dano indireto que é a formação de fumagina sobre as folhas que tiveram uma menor fotossíntese.

“Se isso ocorrer em meados do ciclo da soja, antes do enchimento de grãos, nós temos uma perda de produtividade muito grande e uma redução do peso de mil grãos também”.

Outro fator contribuinte, destacado pelos especialistas, foi o solo seco que acabou bloqueando a ação dos microrganismos que controlam a mosca branca. O pesquisador Embrapa Silvipastoril, Rafael Pitta, sugere que em um momento de difícil controle da praga, como o visto neste momento, que a decisão do produtor de controle seja baseada em sua amostragem.

“No nível de controle da mosca branca é de dez ninfas vivas por folíolo ou trinta ninfas vivas por trifólio.

Se baseado nesse critério, o produtor naturalmente vai reduzir o número de aplicações.

Uma estratégia que eu sugiro para os produtores é que faça algum biológico de procedência de qualidade, na ideia de inocular uma doença no campo, grande parte dos indivíduos vão morrer e esses que morrerem ainda se tornem fonte de inóculos para essa doença se propagar no campo e reduzindo também nas próximas gerações”.

Fonte: Canal Rural

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