A morte do pequeno Davi Almeida Franco, de apenas 9 anos, em Várzea Grande/MT, reacendeu um alerta nacional sobre o uso de linhas cortantes, como o cerol e a linha chilena, em pipas e brinquedos similares. O menino perdeu a vida no domingo (26/10) após ser atingido no pescoço enquanto andava de bicicleta nas proximidades da UPA do bairro Cristo Rei.
A tragédia motivou a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) a protocolar, nesta semana, um requerimento para a criação da Frente Parlamentar Mista de Combate à Fabricação, Comercialização, Transporte, Armazenamento, Uso e Posse de Linhas Cortantes. O objetivo é unificar a legislação nacional e endurecer as punições para quem produzir, vender ou utilizar esse tipo de material.

“É inaceitável que uma brincadeira termine em tragédia. Essas linhas já tiraram vidas de motociclistas, ciclistas e agora de uma criança. Precisamos agir com urgência para proteger vidas”, afirmou a parlamentar.
Atualmente, o tema é tratado apenas em leis estaduais e municipais, o que, segundo Coronel Fernanda, cria brechas que colocam vidas em risco. “O cerol e a linha chilena são armas letais, e o Parlamento precisa dar uma resposta rápida e firme à sociedade”, enfatizou.
O requerimento está em fase de coleta de assinaturas e precisa do apoio de um terço dos membros do Congresso Nacional para que a frente seja oficialmente criada.
“Lazer não pode ser sinônimo de morte. Essa luta é por segurança, por responsabilidade e por amor à vida”, concluiu a deputada.
No mesmo fim de semana, outro caso reforçou a gravidade do problema. Em Nova Mutum/MT, o analista de e-commerce Tales Moraes, de 30 anos, ficou ferido após ser atingido por uma linha com cerol enquanto pilotava sua motocicleta na Rua São Paulo, a poucas quadras da Avenida Brasil.
Ele contou que seguia a cerca de 30 km/h quando sentiu o fio atingir o pescoço e o braço. Ao tentar se proteger, cortou profundamente um dos dedos.
“Na hora não senti dor, só o desespero de ver tanto sangue. Graças a Deus não aconteceu algo pior”, relatou.
Tales precisou levar sete pontos em um corte de cerca de quatro centímetros de profundidade.
O caso evidencia o risco letal das linhas cortantes, que são produzidas com vidro moído e cola. O uso, fabricação e venda são proibidos por lei, e a Polícia Militar orienta que a população denuncie casos semelhantes.
“Espero que os pais se conscientizem e fiscalizem com o que os filhos estão brincando. Isso é muito sério e pode matar alguém”, alertou o motociclista.