O aquecimento do clima está encolhendo o lar ártico de ursos-polares. Mas um novo estudo constatou que os animais ao redor do arquipélago norueguês de Svalbard ficaram, em média, mais gordos.
O resultado positivo vem com um alerta, e os pesquisadores acreditam que ele não vai durar.
Ao longo de 27 anos, o Instituto Polar Norueguês analisou medidas corporais de 770 ursos-polares adultos em Svalbard. Eles compararam as reservas de gordura e a condição corporal com os dados observados nos dias sem gelo na região.
Tal período aumentou em cerca de quatro dias anuais ao longo do intervalo estudado. Ainda assim, a condição corporal média dos ursos adultos melhorou depois do ano 2000, o que indica aumento das reservas de gordura apesar da queda do gelo marinho.
O pesquisador sênior Jon Aars disse que isso pode ocorrer porque presas antes superexploradas por humanos apresentaram recuperação de suas populações.
“Eles caçam renas muito mais do que caçavam antes. Recebemos muitas observações de pessoas vendo isso, e nós também vemos com mais frequência por conta própria. E também houve um grande aumento no número de morsas em Svalbard. E eles normalmente não matam morsas, mas as morsas também morrem de vez em quando. E morsas são animais grandes. Então, é muita carne em uma morsa — ou muita gordura para os ursos.”
Aars diz que a notícia é positiva, com estudos mostrando a importância de os ursos estarem gordos. Se as fêmeas estiverem abaixo de um determinado limiar de peso corporal, elas não conseguem se reproduzir.
No entanto, a equipe alertou que novas perdas de gelo marinho ainda podem prejudicar os ursos, obrigando os animais a percorrer distâncias maiores para caçar, como já foi observado em outras populações.
“Nós achamos que vai haver um limiar. Nós acreditamos que, no futuro, em algum momento, vamos ver os ursos começando a ficar mais magros. Então, a boa notícia é que ainda não chegamos lá. A má notícia é que achamos que vamos chegar.”