A adoção de novas tecnologias no campo fez a produtividade da pecuária de corte em Mato Grosso crescer 90,3% entre 2010 e 2025. Dados do Anuário Beef Report, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostram que a produção passou de 60,66 para 115,42 quilos de carcaça por hectare no período, impulsionada por investimentos em genética, manejo de pastagens, nutrição animal e modernização dos sistemas de produção.

O indicador mede a quantidade de carne produzida por hectare de pastagem e é utilizado para avaliar a eficiência da atividade pecuária. Quanto maior o índice, maior é a produção na mesma área, reduzindo a necessidade de abertura de novas pastagens e aumentando a rentabilidade das propriedades rurais.

O desempenho de Mato Grosso superou a média nacional. Enquanto a produtividade brasileira avançou 49,8% no mesmo período, passando de 51,6 para 77,3 quilos de carcaça por hectare, o estado praticamente dobrou sua produção por área utilizada. Com esse resultado, Mato Grosso ocupa a quinta posição no ranking nacional de produtividade, atrás de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rondônia.

Segundo o presidente da Nelore Mato Grosso, Alexandre El Hage, a evolução é resultado de investimentos contínuos em melhoramento genético e nutrição animal. Ele destaca que os avanços alcançados nos últimos anos elevaram a eficiência em todas as etapas da produção, da cria à engorda.

O pecuarista Marco Túlio Duarte Soares afirma que a transformação também pode ser observada na qualidade dos animais destinados ao abate. De acordo com ele, a evolução genética reduziu a idade média dos bovinos abatidos e melhorou o acabamento das carcaças. Há dez anos, apenas 13% dos animais eram abatidos com menos de 24 meses; atualmente, esse percentual chega a 45%.

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números demonstram que o crescimento da produção no estado ocorre por meio da intensificação sustentável da atividade. Segundo ele, os investimentos permitiram aumentar a produtividade sem ampliar significativamente as áreas de pastagem, fortalecendo a competitividade da carne mato-grossense nos mercados nacional e internacional.