A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (12.08), uma operação contra um grupo suspeito de furtar módulos eletrônicos de caminhões e cobrar das próprias vítimas pela devolução das peças. A ação ocorre em Sinop, a cerca de 480 quilômetros por rodovia de Cuiabá, e inclui 88 ordens judiciais.

Batizada de Módulo Oculto, a operação prevê o cumprimento de 13 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 11 milhões em contas bancárias, o sequestro de quatro imóveis e 13 veículos e a adoção de outras medidas patrimoniais contra pessoas e empresas investigadas.

Quatro empresas tiveram as atividades suspensas. Outros quatro investigados foram proibidos de exercer atividades empresariais enquanto o caso tramita.

Segundo a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Sinop (Derf), a investigação identificou uma estrutura organizada para furtar módulos e outros componentes de caminhões estacionados em vias públicas e pátios de empresas.

Antes dos crimes, os suspeitos fariam um levantamento dos locais e dos veículos que seriam atacados. Depois dos furtos, os equipamentos eram encaminhados a receptadores, oficinas e estabelecimentos do setor de peças automotivas.

Cobrança das próprias vítimas

Um dos pontos apurados é a existência de um esquema chamado de “resgate”. De acordo com a investigação, proprietários de oficinas atuavam como intermediários e cobravam dos caminhoneiros ou responsáveis pelos veículos para devolver os módulos furtados.

Dessa forma, as vítimas eram obrigadas a pagar para recuperar um componente retirado ilegalmente dos próprios caminhões. A Polícia Civil apura a participação de furtadores, receptadores, comerciantes e responsáveis pela circulação do dinheiro obtido com o esquema.

Parte das peças também teria sido revendida para compradores de outros municípios de Mato Grosso e de outros estados. As cidades que teriam recebido os equipamentos não foram informadas no material divulgado sobre a operação.

Empresas na mira

A investigação aponta que empresas formalmente constituídas, principalmente dos setores de mecânica e comércio de peças automotivas, teriam sido usadas para receber, armazenar e revender os módulos furtados.

Contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas também teriam sido utilizadas para movimentar os valores e dificultar a identificação da origem do dinheiro. Os investigados são apurados por suspeitas de furto, receptação, lavagem de dinheiro e comércio clandestino de peças.

Os materiais apreendidos serão analisados pela Derf e poderão ser incorporados ao inquérito. Os presos serão encaminhados à delegacia e permanecerão à disposição da Justiça, com posterior apresentação em audiência de custódia.

A Polícia Civil não apresentou, na divulgação inicial da operação, um balanço sobre quantos mandados já haviam sido efetivamente cumpridos. A eventual responsabilidade criminal dos investigados dependerá da conclusão das apurações e da análise do caso pelo Judiciário.