Se alguém apontasse no mapa os municípios que mais produzem soja no Brasil, o resultado teria uma característica que chama atenção imediatamente: Mato Grosso praticamente dominaria a imagem.

Dos 20 municípios que aparecem entre os maiores produtores de soja do país no levantamento da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE, metade está em Mato Grosso.

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São 10 cidades mato-grossenses entre os 20 maiores produtores da oleaginosa.

E existe um detalhe ainda mais curioso: Sorriso, sozinho, produziu mais de 2 milhões de toneladas de soja no período considerado pelo levantamento.

A lista mostra uma concentração impressionante da produção agrícola brasileira em algumas cidades do interior. Não são apenas municípios que plantam soja. São verdadeiras potências agrícolas, com produção em escala suficiente para movimentar armazenagem, transporte, comércio, máquinas, fertilizantes, indústrias e uma enorme cadeia de serviços.

Os dados da PAM são produzidos pelo IBGE com informações de área plantada, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio e valor da produção em nível municipal.

Sorriso quase tomou a liderança nacional
O primeiro nome de Mato Grosso na lista é justamente um dos mais conhecidos do agronegócio brasileiro.

Sorriso aparece em segundo lugar entre os municípios brasileiros produtores de soja, com 2.084.520 toneladas, ficando muito próximo de São Desidério, na Bahia, que aparece na primeira posição com 2.092.944 toneladas.

A diferença entre os dois é de apenas 8.424 toneladas.

Para se ter uma ideia do tamanho dessa disputa, essa diferença representa uma fração muito pequena diante de uma produção municipal superior a 2 milhões de toneladas.

Ou seja, Sorriso praticamente empatou com o líder nacional.

Mas olhar apenas para a segunda colocação pode esconder algo muito maior.

Metade do Top 20 está em Mato Grosso
O levantamento mostra 10 municípios de Mato Grosso entre os 20 maiores produtores de soja do Brasil.

Além de Sorriso, aparecem:

Nova Ubiratã — 1.500.600 toneladas;
Querência — 1.230.000 toneladas;
São Félix do Araguaia — 1.164.706 toneladas;
Campo Novo do Parecis — 1.141.652 toneladas;
Nova Mutum — 1.140.000 toneladas;
Sapezal — 1.123.911 toneladas;
Paranatinga — 1.120.177 toneladas;
Diamantino — 1.014.303 toneladas;
Brasnorte — 966.817 toneladas.
Isso significa que cidades de diferentes regiões do estado aparecem no mesmo grupo que alguns dos maiores polos agrícolas do país.

E existe uma curiosidade ainda mais interessante: nove municípios mato-grossenses do grupo ultrapassam 1 milhão de toneladas, enquanto Brasnorte fica muito próximo dessa marca.

Quanto de soja os 10 municípios de Mato Grosso produzem juntos?
Somando os volumes apresentados para os dez municípios mato-grossenses do levantamento, chega-se a aproximadamente 12,49 milhões de toneladas de soja.

É uma quantidade gigantesca concentrada em apenas dez municípios.

Para entender o que isso representa, basta imaginar que cada uma dessas cidades não está apenas produzindo uma grande quantidade de grãos. Elas precisam movimentar essa produção depois da colheita.

São necessárias estradas, caminhões, armazéns, silos, tradings, cooperativas, oficinas, revendas agrícolas, postos de combustível, empresas de tecnologia, mão de obra especializada e uma enorme rede de serviços.

É por isso que o peso econômico dessas cidades vai muito além do valor obtido diretamente pela venda da soja.

Sorriso tem uma característica que poucos municípios conseguem repetir
Sorriso é um caso particularmente interessante porque sua força não está concentrada em apenas uma cultura.

O município também é um gigante na produção de milho e em outros grãos.

Segundo o IBGE, Sorriso produziu cerca de 6,1 milhões de toneladas de grãos em 2024, ficando à frente dos demais municípios brasileiros nesse indicador. Nova Ubiratã também aparece entre os grandes polos, com aproximadamente 4,1 milhões de toneladas.

E há outro número que ajuda a entender a dimensão da infraestrutura criada ao redor dessas lavouras.

Sorriso possuía, no primeiro semestre de 2025, 5,6 milhões de toneladas de capacidade instalada de armazenagem, a maior entre os municípios brasileiros. Sete dos dez municípios com maior capacidade de armazenamento do país estavam em Mato Grosso.

Isso explica por que a cidade não pode ser analisada apenas como uma produtora de soja.

Ela funciona como um grande centro de produção e armazenamento de grãos.

Nova Ubiratã é outro nome que merece atenção
Quem acompanha o agronegócio nacional pode se surpreender ao encontrar Nova Ubiratã em quinto lugar no ranking nacional da soja.

O município aparece com 1,5 milhão de toneladas.

E a força agrícola da cidade também aparece quando são considerados os grãos de maneira geral. O IBGE aponta Nova Ubiratã como um dos maiores produtores nacionais, com aproximadamente 4,1 milhões de toneladas de grãos em 2024.

É um daqueles casos em que o tamanho da produção agrícola ajuda a transformar completamente a importância econômica de um município que, fora do setor agropecuário, pode ser menos conhecido pelo público nacional.

Querência também está entre os gigantes
Outro nome mato-grossense que aparece no ranking é Querência, com 1,23 milhão de toneladas de soja.

O município está localizado na região do Vale do Araguaia e se tornou um importante polo da agricultura de larga escala.

Sua presença entre os maiores produtores mostra que a força da soja não está concentrada somente no entorno de Sorriso ou no Médio-Norte.

Ela se espalhou por diferentes regiões do território mato-grossense.

E tem São Félix do Araguaia
A presença de São Félix do Araguaia, com 1.164.706 toneladas, também chama atenção.

O município aparece entre os dez maiores produtores de soja do Brasil no levantamento apresentado.

Isso ajuda a revelar uma característica interessante de Mato Grosso: o estado possui polos gigantes de produção agrícola em regiões geograficamente muito diferentes.

A soja não é um fenômeno restrito a uma única área.

Nova Mutum, Sapezal e Campo Novo do Parecis também estão no grupo
A lista ainda reúne alguns dos nomes mais tradicionais do agronegócio mato-grossense.

Nova Mutum aparece com 1,14 milhão de toneladas.

Sapezal chega a 1,123 milhão.

Campo Novo do Parecis registra 1,141 milhão.

Os três municípios fazem parte de uma região que ajudou a consolidar Mato Grosso como uma potência mundial na produção de grãos.

E o interessante é perceber que a competição não acontece somente entre estados.

Ela acontece também dentro do próprio Mato Grosso.

São municípios que disputam produtividade, investimentos, infraestrutura, armazenagem e espaço no mercado agrícola nacional.

Mato Grosso aparece em metade da lista dos maiores produtores
O ranking completo informado pelo levantamento é formado por:

São Desidério (BA) — 2.092.944 toneladas
Sorriso (MT) — 2.084.520 toneladas
Formosa do Rio Preto (BA) — 1.958.821 toneladas
Rio Verde (GO) — 1.572.500 toneladas
Nova Ubiratã (MT) — 1.500.600 toneladas
Cristalina (GO) — 1.323.300 toneladas
Querência (MT) — 1.230.000 toneladas
Jataí (GO) — 1.170.000 toneladas
São Félix do Araguaia (MT) — 1.164.706 toneladas
Campo Novo do Parecis (MT) — 1.141.652 toneladas
Nova Mutum (MT) — 1.140.000 toneladas
Sapezal (MT) — 1.123.911 toneladas
Paranatinga (MT) — 1.120.177 toneladas
Diamantino (MT) — 1.014.303 toneladas
Baixa Grande do Ribeiro (PI) — 1.007.447 toneladas
Brasnorte (MT) — 966.817 toneladas
Barreiras (BA) — 960.671 toneladas
Luís Eduardo Magalhães (BA) — 926.476 toneladas
Primavera do Leste (MT) — 904.800 toneladas
Ponta Porã (MS) — 869.400 toneladas.
O que mais chama atenção, porém, não é apenas quem está em primeiro ou segundo lugar.

É a distribuição.

Mato Grosso tem 10 representantes. Bahia tem quatro. Goiás tem três. Piauí e Mato Grosso do Sul têm um cada.

Isso coloca o estado no centro do mapa nacional da soja.

A soja brasileira está espalhada, mas a produção gigante é concentrada
O Brasil cultiva soja em milhares de municípios, mas a escala alcançada por algumas cidades é extraordinária.

Na PAM 2024, o IBGE registrou 144,5 milhões de toneladas de soja no Brasil, cultivadas em 46,2 milhões de hectares. A oleaginosa respondeu por 33,2% do valor total da produção agrícola pesquisada.

É importante observar que os dados da PAM são referentes ao ano de 2024, enquanto estimativas de safras posteriores pertencem a outras pesquisas e metodologias.

Isso evita uma confusão comum entre produção municipal consolidada e estimativas de safra.

O curioso é que a liderança pode mudar, mas Mato Grosso continua aparecendo
São Desidério aparece à frente de Sorriso por uma diferença pequena.

Isso significa que a liderança municipal pode mudar de acordo com produtividade, área colhida e condições de cada safra.

Mas existe algo mais difícil de mudar: a presença de Mato Grosso no topo da agricultura brasileira.

O próprio levantamento do IBGE sobre 2024 mostra que seis municípios mato-grossenses estavam entre os dez maiores do país em valor total da produção agrícola, com Sorriso liderando essa classificação, com R$ 7,2 bilhões.

Portanto, mesmo quando outro município aparece na primeira colocação de uma cultura específica, Mato Grosso continua com uma presença enorme no conjunto da produção agrícola.

E talvez seja essa a parte mais curiosa da história.

Quando se fala em “capital da soja”, muita gente pensa em uma única cidade.

Os números mostram outra coisa.

Existe uma verdadeira constelação de municípios mato-grossenses produzindo volumes gigantescos de soja.

Sorriso está quase empatado com o líder nacional. Nova Ubiratã passa de 1,5 milhão de toneladas. Querência ultrapassa 1,2 milhão. São Félix do Araguaia, Campo Novo do Parecis, Nova Mutum, Sapezal e Paranatinga também superam a marca de 1,1 milhão.

E ainda há Diamantino, Brasnorte e Primavera do Leste completando a presença do estado entre os grandes produtores.

No mapa da soja brasileira, portanto, Mato Grosso não aparece apenas como um estado produtor.

Ele aparece como uma das grandes concentrações municipais de produção agrícola do planeta.