A competitividade do agronegócio brasileiro depende não apenas da escala produtiva e da disponibilidade de recursos naturais, mas também da capacidade de incorporar novas tecnologias e de operar em um ambiente regulatório previsível. A avaliação é de representantes dos setores de proteção de cultivos, biocombustíveis e tecnologia, que apontam a inovação e a segurança jurídica como fatores determinantes para os investimentos e o desenvolvimento da agroindústria.

Para a presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, a agricultura tropical impõe desafios específicos, como a elevada pressão de pragas e as condições climáticas adversas. Esse cenário exige acesso a diferentes soluções tecnológicas e políticas regulatórias capazes de acompanhar as necessidades da produção. “Marcos legais, proteção de cultivares, inovação e previsibilidade regulatória são fundamentais para estimular investimentos das empresas que desenvolvem novas tecnologias”, afirmou.

Nesse contexto, o manejo integrado e a disponibilidade de ferramentas para enfrentar problemas fitossanitários são importantes para manter a produtividade. Segundo Ana, a demora nos processos de aprovação regulatória pode atrasar a chegada de novas moléculas e soluções ao campo, limitando o acesso dos produtores a tecnologias com potencial para alterar o cenário produtivo.

A executiva também destacou que, apesar das críticas recebidas pelo Brasil no cenário internacional, o país conta com uma estrutura regulatória moderna. O desafio, segundo ela, está em atualizar os marcos legais para acompanhar o ritmo das inovações e evitar que a defasagem das regras prejudique a competitividade.

A previsibilidade regulatória também influencia o planejamento do setor de biocombustíveis, especialmente na definição de custos e investimentos.  O vice-presidente da Inpasa, Gustavo Mariano Oliveira, enfatizou que a América Latina precisou se adaptar rapidamente às novas exigências do mercado internacional e que mudanças regulatórias, inclusive no transporte marítimo, devem exigir novos ajustes das empresas. “A América Latina precisou se adaptar rapidamente às novas demandas internacionais, enquanto novas regulamentações, inclusive no transporte marítimo, deverão provocar outras mudanças”, ressaltou.

Para Mariano, a capacidade de incorporar tecnologias e aprimorar processos será determinante para o desempenho da agroindústria. “A velocidade de adoção de tecnologias para a melhoria dos processos é o caminho para uma agroindústria forte”, afirmou.

Na avaliação do presidente e CEO da Bosch América Latina, Gastón Díaz Pérez, a regulação precisa considerar a complexidade do ambiente empresarial, marcado por volatilidade econômica, juros elevados e incertezas geopolíticas. Nesse contexto, regras que imponham obstáculos desnecessários podem dificultar a operação das empresas e a adoção de novas soluções.

O executivo também ressaltou que ferramentas digitais já são utilizadas na América Latina, mas que o avanço tecnológico depende da capacidade de transformar recursos disponíveis em aplicações eficientes.

No caso da inteligência artificial, isso envolve não apenas o desenvolvimento de modelos, mas também a preparação das equipes para utilizá-los. “Os modelos preditivos baseados em IA precisam estar associados à qualificação profissional, pois sem pessoas qualificadas, não existe o suporte humano necessário para conduzir a inteligência artificial”, destacou.

As avaliações convergem em um ponto: a tecnologia pode ampliar a eficiência e a competitividade da produção, mas seus resultados dependem de condições que favoreçam a inovação. Para o agronegócio e a agroindústria, isso inclui processos regulatórios capazes de acompanhar os avanços científicos, segurança para planejar investimentos e profissionais preparados para aplicar as novas ferramentas.