Uma cabeça empalhada de um tigre-da-tasmânia, confundida com uma “raposa mal empalhada” com olhos de plástico e comprada por valor insignificante em uma feira de antiguidades no interior da Inglaterra, revelou-se um verdadeiro tesouro da história natural.

Trata-se de uma espécie extinta desde 1936 que, depois de ter sua autenticidade confirmada por especialistas, foi leiloada por mais de R$ 420 mil.

O vendedor anônimo adquiriu o objeto em um mercado de antiguidades por impulso, atraído pelo aspecto cômico dos olhos artificiais.

Sem imaginar seu verdadeiro valor, colocou-o à venda em um leilão em Bristol, onde o colecionador britânico James Cranfield, especialista em taxidermia, percebeu que não se tratava de uma cabeça de raposa, mas sim de um tigre-da-tasmânia.

Cranfield descreveu o item como “o achado de muitas vidas” e enfrentou uma intensa disputa com outro comprador que também havia identificado a raridade.

Foi então que, durante o leilão, em uma sequência daquelas que parecem só acontecer em filmes, começaram a disputar o objeto lance a lance.

O dono do objeto, que esperava conseguir um valor modesto pela peça, precisou de um tempo para assimilar a notícia e chegou a acreditar que estava sendo vítima de uma pegadinha.

O tigre-da-tasmânia, marsupial carnívoro nativo da Austrália, Tasmânia e Nova Guiné, desapareceu da natureza há cerca de dois mil anos no continente e sobreviveu apenas na ilha da Tasmânia até o século XX.

O último exemplar conhecido morreu em cativeiro em 1936. Pouquíssimos espécimes taxidermizados existem, e a cabeça adquirida por Cranfield pode ser a única montada e preservada em condições razoáveis.

Cranfield afirmou que pretende realizar exames para confirmar oficialmente a autenticidade do exemplar e considera emprestá-lo a museus ou pesquisadores.

Para ele, o objeto representa o “santo graal” da taxidermia e da história natural, dada a raridade extrema de materiais relacionados aos tigre-da-tasmânia.