O deputado estadual Gilberto Cattani voltou a se pronunciar sobre o julgamento do assassinato de sua filha, ocorrido em Nova Mutum, e não escondeu a revolta. A poucos dias do júri popular, o parlamentar fez um desabafo contundente, afirmando que o sistema de Justiça é incapaz de reparar o que sua família sofreu e que nenhuma sentença será suficiente para compensar a morte da jovem.
Em tom de indignação, Cattani afirmou que o processo atende apenas à burocracia do Estado. Segundo ele, o julgamento pode até cumprir o chamado “rito legal”, mas não traz paz, não traz consolo e tampouco entrega o que ele considera justiça verdadeira. “O que foi tirado não volta”, disse, ao criticar a distância entre a frieza das decisões judiciais e a violência da perda.
O deputado também ressaltou o peso permanente do crime. Para ele, enquanto o tribunal discute penas, prazos e formalidades, a família continua enterrada no luto, e o sofrimento não muda com o resultado do júri. Segundo Cattani, o sistema jurídico tem limites técnicos e institucionais, mas falta humanidade diante de tragédias dessa magnitude.
Justiça define regras para o julgamento
A 3ª Vara da Comarca de Nova Mutum definiu as regras para a cobertura e divulgação de informações do julgamento dos irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, réus pela morte de Raquel Cattani. O Tribunal do Júri acontece no príximo dia 22 e será presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski.
As medidas buscam garantir segurança, ordem, imparcialidade dos jurados e respeito à dignidade da vítima, esclareceu o tribunal.
A capacidade de público externo do plenário é limitada a 60 pessoas, conforme orientação do Corpo de Bombeiros. Por isso, o acesso do público e da imprensa será controlado com 10 vagas, e o uso de aparelhos eletrônicos será restrito.
Não será permitido o trabalho jornalístico dentro do plenário. Informações sobre o andamento da sessão só poderão ser repassadas fora do ambiente interno, por meio de ligações ou registros externos. Outras 25 vagas serão reservadas para familiares e pessoas próximas da vítima e dos réus. Para o público em geral, foram reservadas 25 vagas. As inscrições devem ser feitas até as 14h do dia 20 através do telefone disponível no site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Caso o número de interessados seja maior que o de vagas, também haverá sorteio.
Está proibido o uso de celulares, notebooks, gravadores e outros aparelhos eletrônicos dentro do plenário. A regra vale para todos, exceto magistrada, advogados, servidores e demais profissionais que atuam diretamente no processo. O controle será feito pela Polícia Militar, com uso de detectores de metal. A decisão também proíbe manifestações públicas de autoridades durante o julgamento, para evitar interferências e garantir a imparcialidade dos jurados. O acesso ao saguão será permitido apenas a pessoas previamente autorizadas.