Conforme uma pesquisa divulgada em maio do ano passado pelo Instituto Datafolha em parceria com uma empresa de saúde, 62% dos entrevistados afirmaram que ficariam “muito ou extremamente preocupados com o diagnóstico” de esteatose hepática, condição popularmente conhecida como gordura no fígado. O quadro afeta 30% da população mundial.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, as hepatologistas Carla Matos, do Hospital Sírio Libanês, e Natália Trevizoli, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, destacam que a condição resulta do acúmulo excessivo de gordura dentro das células do fígado. “Isso geralmente ocorre quando o organismo recebe mais energia do que consegue gastar”, declara a médica que atende em São Paulo
Natália frisa que a concentração de gordura no fígado “geralmente está relacionada a sobrepeso, resistência à insulina, diabetes, colesterol elevado e alimentação rica em açúcar e ultraprocessados, além do consumo de álcool”. Carla emenda: “Dieta rica em açúcar, massas, ultraprocessados e bebidas alcoólicas, associada ao sedentarismo, leva o corpo a armazenar gordura, e o fígado acaba sendo um dos principais locais desse acúmulo.”
De acordo com a doutora pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a gordura no fígado costuma não causar sintomas. As duas médicas explicam que o acúmulo lipídico pode causar inflamação, fibrose e evoluir para cirrose, aumentando o risco de insuficiência hepática e câncer no órgão. Carla pontua sobre a condição ter “forte ligação” com o aumento do risco de morte por doença no coração.
“Além das complicações hepáticas, quem tem gordura no fígado também apresenta maior risco cardiovascular, mais incidência de diabetes e aumento de chance de doença renal crônica”, esclarece Natália Trevizoli. Com atuação em gastroenterologia e transplante de fígado, ela finaliza com uma “boa notícia“: “Na maioria dos casos, o quadro é reversível com mudanças de hábitos.”