Força-tarefa com delegados que atuaram na Lava Jato vai investigar “embaixador do tráfico” preso em Sorriso

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A Polícia Federal (PF) está montando uma força-tarefa para a investigação decorrente da Operação Spectrum, que prendeu, em 1º de julho, em Sorriso, Luiz Carlos da Rocha, conhecido como “Cabeça Branca”. Ele foi procurado por aproximadamente 30 anos.

Com a criação desta força-tarefa, dois novos delegados (com experiência em lavagem de dinheiro e que já atuaram na Operação Lava Jato) e mais oito agentes vão trabalhar na análise de provas e documentos. O grupo deve iniciar os trabalhos na próxima semana, com base em Londrina e Curitiba.

O delegado federal Elvis Secco de Londrina, no norte do Paraná, coordenador da operação, informou o G1, que atualmente, trabalha com oito agentes na operação. A extração de análise de dados de cada telefone celular demora aproximadamente 25 dias.

“Já foram solicitadas outras 11 quebras de sigilo fiscal e bancário, que equivalem à segunda fase da operação, e uma terceira fase, com pedidos de quebras de sigilo e bloqueio de bens já está em andamento. Ainda de acordo com o delegado, o objetivo agora é rastrear o dinheiro e identificar bens pertencentes à organização criminosa, muitos registrados em nome de laranjas”, declarou delegado ao G1.

A força-tarefa também trabalha na identificação das formas usadas pela quadrilha para lavar o dinheiro do tráfico. “Quem está apoiando a operação na parte de lavagem de dinheiro é o núcleo da Lava Jato de Curitiba”, explicou Secco. A PF informou que uma das formas era por meio de fazendas, muitas em nomes de laranjas. Conforme o delegado, Cabeça Branca tinha propriedades no Paraguai, com mais de 20 mil cabeças de gado que funcionavam licitamente, e que eram usadas para lavagem internacional de dinheiro.

Durante a prisão realizada em Sorriso, além de além de US$ 4,5 milhões e 1,5 tonelada de cocaína, foram apreendidos 70 telefones celulares, um telefone móvel via satélite e vários computadores. Na época foi autorizada 80 quebras de sigilo fiscal e bancário. Este material será utilizado durante a investigação.

De acordo com a polícia, Cabeça Branca tinha diplomacia para lidar com outras facções criminosas, o que permitiu que ele atuasse tanto tempo sem que fosse encontrado. O termo “embaixador do tráfico” surgiu justamente desta característica.

A polícia afirma que ele lidava com grupos criminosos nacionais e internacionais sem que precisasse usar a violência. Além disso, ainda segundo a PF, ele usava uma identidade falsa, fez plásticas para mudar a fisionomia e mantinha uma vida normal em Sorriso, atuando como um agropecuarista.

De acordo com as investigações, o criminoso usava o Porto de Santos (SP) para exportar drogas para a Europa e os EUA e tinha mais influência que outros traficantes, como Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Abadia. Luiz Carlos está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná.

Fonte: Só Noticias