Deputado que chamou médico de mentiroso aparece em vídeo reclamando do valor de suposta propina

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Um vídeo entregue pelo ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) à Procuradoria Geral da República (PGR), no acordo de delação premiada firmado por ele, mostra o deputado Gilmar Fabris (PSD) insatisfeito com o valor da suposta propina. O acordo de delação do ex-governador já foi homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Fabris não se manifestou sobre o caso.

Nas imagens, ele questiona o ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Cezar Corrêa, que era responsável pelo pagamento de propina e outras vantagens indevidas a políticos, durante a gestão de Silval Barbosa, sobre os R$ 100 mil que seriam pagos a ele.

Segundo Silval Barbosa, Fabris é um dos sete deputados estaduais que, entre 2012 e 20013, o procuraram e exigiram dinheiro de propina de obras da Copa do Mundo de 2014 e do programa MT Integrado para aprovar as contas do Executivo durante a gestão dele. Para o apoio, cada deputado teria cobrado R$ 1 milhão e, após muitas negociações, o ex-governador afirmou que os deputados aceitaram receber R$ 600 mil em propina cada, que foram pagos em 12 parcelas.

Na conversa com o então chefe de gabinete, que era considerado homem de confiança de Silval Barbosa, Fabris pergunta quanto os outros, possivelmente se referindo a outros deputados, iriam receber e Sílvio diz que os outros receberiam R$ 50 mil, mas promete a entrega do restante em outro dia.

O vídeo gravado sem que o parlamentar soubesse, por meio de uma câmera instalada na sala de Sílvio Corrêa, traz o seguinte diálogo entre Fabris e Sílvio:

Gilmar Fabris: E aí?
Sílvio Corrêa: Chegou um pedaço aí!
Fabris: Pedaço? Por que? Só um pedaço?
Sílvio: Só um pedacinho!
Fabris: Uai! Você tá doido?
Sílvio: Cem (mil reais)
Fabris: Por que? Porque todo mundo está levando inteiro
Sílvio: Tá nada
Fabris: É?!
Sílvio: Hum! não
Fabris: Estão levando como?
Sílvio: Cinquenta (mil reais)
Fabris: Tão levando quanto?
Sílvio: Cinquenta (mil reais)
Fabris: Só? O que que é isso? E os outros?
Sílvio: Verdade, mas amanhã vai acontecer mais!
Fabris: E os outros?
Sílvio: Segunda também.

 

Fabris acusou médico de ser mentiroso

Em maio Fabris chamou o então diretor do Hospital Regional de Sorriso, Roberto Satoshi, de mentiroso. O político fez um depoimento ofensivo contra o médico, que espontaneamente chorou em entrevista por causa das condições precárias na unidade. Além disso, o deputado insinuou que a ‘população pujante’ da Capital do Agronegócio manteria o hospital.

“Aquele médico é um mentiroso. Ele falou que foi demitido, mas não foi. Ele não recebeu o salário porque não tinha certidão. Você vê que o choro dele, ele chora um pedaço na hora que a televisão mostra e quando a televisão abaixa acabou o choro, e depois lá vem o choro de novo”.

Fabris também destacou na entrevista que os sorrisenses não deixariam faltar alimentos no Hospital Regional. De fato, apesar da responsabilidade de manutenção da unidade ser do Governo do Estado, a população se mobilizou e fez a doação de alimentos, gás de cozinha, fraldas e outros itens.

“Sorriso é uma cidade pujante, de gente pujante, que, com certeza, jamais deixaria algum cidadão passar fome, imagina no hospital, mas aquilo [entrevista do médico] foi para criar uma notícia nacional. Se está faltando verba, vejam os senhores, ele mesmo disse que o ano passado está tudo pago. Mas nós estamos agora em maio. Quanto que já deu deste mês? Na saúde faltam recursos? Faltam. Precisa de recursos? Precisa. Mas é preciso é ajudar, todo mundo dar as mãos e não fazer o choro daquele mentiroso. Cheguei na minha casa e até a minha esposa disse: ‘olha, você viu o coitado daquele médico?’. Mas ele foi infeliz quando disse: nos meus 30 anos de médico não pensei que ia acontecer isso na minha vida. Ele está olhando a vida dele? Pensei que ele iria falar do hospital”, comentou Fabris.

Fonte: Redação Portal Sorriso MT com G1-MT