Casos de estupro aumentam 20% em Mato Grosso

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Nos seis primeiros meses deste ano, 33 mulheres foram estupradas, em Cuiabá, conforme os dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). O levantamento representa um aumento de 94% se comparado com os mesmos meses do ano passado, quando a secretaria contabilizou 17 estupros.

Já em Mato Grosso, o primeiro semestre de 2016 teve 104 estupros contra 125 deste ano, de janeiro a junho. O balanço também aponta um aumento de 20% da violência sexual.

Para a defensora pública, Rosana Leite, apesar das estatísticas da Sesp mostrarem um aumento significativo dos casos, os números de estupros são os mais subnotificados do mundo, pois as vítimas sentem vergonha ou até mesmo acabam se sentindo culpadas por tabu.

Uma pesquisa divulgada há um ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirmou que os casos mensurados representam apenas 10% dos crimes. E, agora a realidade também não é diferente.

“A violência sempre ouve só que por medo ou vergonha a mulher nunca quis se expor. No entanto, vejo que esses dados são positivos porque as mulheres estão se sentindo mais segura e como sabem que podem contar com a Justiça elas acabam denunciando os suspeitos por acreditarem nas forças policiais”, afirmou à defensora.

Na avaliação de Rosana, também é necessário que o Poder Público crie políticas públicas eficientes para que as vítimas busquem e se sintam mais incentivadas a procurar pelos direitos e também denunciar os abusos sofridos, do contrário, a mulher jamais vai “gritar por socorro”.

“Nesses anos de luta no Conselho dos Direitos da Mulher percebi que o estupro é o único crime onde a vítima é julgada junto com o agressor. Um exemplo simples é quando a pessoa é assaltada, ninguém pergunta por que a pessoa escolheu o celular ou aquele modelo de bolsa. Mas, se a mulher é abusada muitas pessoas ou até mesmo as autoridades policiais quando vão lavrar o boletim de ocorrência perguntam por qual razão ela estaria usando determinado tipo de roupas. Acho absurdo essa visão, porque não é o tipo que eu escolho para me vestir que eu estou dando direito de alguém vir passar a mão em mim”, desabafou.

A.C.S.B contou a reportagem que desde a infância ela era abusada pelo pai. Hoje com 40 anos de idade e com o pai morto, a vítima afirmou que com muitas orações conseguiu liberar o perdão.

Mas, antes disso ela sofreu muito na mão do pai, pois a mãe não sabia da situação e quando saia de casa para trabalhar o pai aproveitava e cometia os abusos. Depois que finalizava, ainda ameaçava de morte as outras irmãs e também a mãe caso ela abrisse a boca.

“Além do trauma na infância eu também demorei muito para conseguir me relacionar com um homem. Todo homem que eu olhava sentia nojo e mesmo depois de casada demorou um bom tempo para que eu conseguisse me relacionar com o meu marido normalmente sem traumas, pois os nossos momentos íntimos eram de angustias para mim e para ele. Do nada, eu parava sentava na cama, colocava as mãos no rosto e chorava. No entanto, fui para a igreja e pedi a libertação da sequela a Deus e ele me atendeu. Hoje sou uma pessoa realizada e não tenho tempo para me lembrar das coisas horríveis que enfrentei”, falou.

Já A.P.C afirmou que em uma sexta-feira decidiu sair com os amigos para curtir o final de semana. Porém, cada uma das amigas e amigos se separaram em um determinado momento. Então, como ela já estava um pouco bêbada um dos amigos a perguntou se ela não estava precisando de ajuda, e como os dois se conheciam há algum tempo ela aceitou a ajuda.

Contudo, o suspeito que era amigo pessoal dela há muitos anos se aproveitou da situação de levar ela em casa para cometer o abuso sexual.

“Não me lembro da noite e de nada. Só que falei para ele que não estava a fim, mas tomei uma água que ele pode ter colocado alguma coisa e quando acordei estava em meio a uma poça de sangue. Levantei assustada e com mensagens no celular dele dizendo: “A noite foi boa né Cinderela”.

Depois disso, A.P.C desligou o celular e foi na delegacia para registrar o boletim de ocorrência, porém, segundo ela, não aconteceu nada com o acusado que ainda “saiu pelas portas da frente sorrindo”, finalizou.

POR: Diário de Cuiabá