Amazônia: seca elevou temperatura de lago a 41ºC e matou 200 golfinhos

Crédito: Divulgação/André Zumak/Instituto Mamirauá

A Amazônia foi fortemente atingida por uma seca histórica em 2023. Como consequência, mais de 200 golfinhos de água doce, como botos e tucuxis, morreram com o aumento de temperatura do Lago Tefé, local onde eles viviam. É o que aponta um levantamento feito por pesquisadores internacionais, incluindo brasileiros, publicado na última quinta-feira (6/11) no periódico Science.

O estudo foi liderado pelo pesquisador brasileiro Ayan Fleischmann, do Instituto Mamirauá para o Desenvolvimento Sustentável, no Amazonas. De acordo com a estimativa, as águas do lago chegaram a atingir 41ºC, uma temperatura muito alta para os padrões do local e extremamente prejudicial para a sobrevivência dos animais.

Além do Tefé, foram investigados nove lagos da região. Em cinco deles, a temperatura da água passou dos 37ºC.

Segundo Fleischmann, a quentura da água, a grande radiação solar, a pouca profundidade, o vento fraco e a água turva atrapalhando a dispersão do calor foram fatores preponderantes para a tragédia amazônica. Além dos golfinhos, peixes e outros organismos aquáticos foram afetados pelo fenômeno.

“Era impossível colocar um dedo na água. Estava tão quente que os animais não tinham onde se abrigar ”, afirma o pesquisador em entrevista ao portal Noticias Ambientales.

Altas temperaturas colapsaram funcionamento dos animais
De acordo com os pesquisadores, a cor da água chegou a ficar vermelha devido à mudança na pigmentação das algas do Lago Tefé. Mudanças abruptas de temperaturas são extremamente prejudiciais aos seres vivos do local, visto que eles são sensíveis ao calor exacerbado.

“Quando a água atinge 41ºC, os peixes simplesmente param de funcionar: suas enzimas ficam bloqueadas, seu metabolismo entra em colapso e eles morrem ”, explica um dos autores do artigo, Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Mesmo com grande capacidade de regulação da temperatura corporal, nem os botos conseguiram sobreviver à mudança climática abrupta. “Eles precisam gastar uma enorme quantidade de energia para sobreviver e, em um ambiente degradado, sem comida ou abrigo, não conseguem sustentar esse esforço”, diz Val.

O Tefé também foi seriamente prejudicado com a diminuição do seu volume de 400 para 100 quilômetros quadrados, além de perder 12,5 metros de profundidade.

Preocupados com o colapso amazônico, os cientistas ressaltam a necessidade da antecipação dos compromissos climáticos para evitar mais danos a um ecossistema tão rico.

“Essas condições climáticas estão se tornando mais comuns na Amazônia. As implicações para a biodiversidade e as comunidades locais são profundas”, aponta um dos autores do estudo, John Melack, ecologista da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (EUA), em comunicado.

Autor: metrópoles

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