Cogumelos letais: conheça os 5 fungos mais perigosos da natureza

Crédito: Getty Images

Você pode não enxergar, mas saiba que nesse momento estamos respirando vários fungos através de seus esporos microscópicos. Esses organismos não estão presentes apenas no ar, mas sim espalhados por quase todos os ambientes do planeta. No entanto, eles têm locais de preferência onde se sentem bem confortáveis: a “moradia” perfeita deve ser úmida, escura e rica em matéria orgânica, como uma parede mofada na sua casa, por exemplo.

A nossa relação com os fungos realmente é profunda. Segundo o micologista e professor Ricardo Drechsler dos Santos, estima-se que a cada inspiração, uma pessoa inala cerca de dez esporos de fungos, a depender do ambiente onde esteja.

O dado pode parecer assustador, mas pode ficar tranquilo. Na maioria das vezes, nosso corpo é capaz de nos proteger.

“Em pessoas saudáveis, o próprio sistema imunológico costuma eliminar esses fungos antes que eles causem qualquer problema. Além disso, a temperatura do corpo humano funciona como um limitante natural, já que muitos fungos não conseguem sobreviver ou se multiplicar bem em temperaturas próximas a 37 °C”, explica Santos, que é docente da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O grande problema é quando estamos com o sistema imune enfraquecido, o que nos deixa mais vulneráveis à ação de fungos extremamente perigosos.

“Em geral, os fungos desse tipo causam doenças em imunossuprimidos, ou seja, em pessoas com comprometimento do sistema imune. Pacientes com câncer em quimioterapia, transplantados de medula óssea e indivíduos com vírus HIV sem tratamento são alguns exemplos”, exemplifica a infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo.
Em hospitais, o risco é ainda maior. Como os pacientes estão em um momento de vulnerabilidade, qualquer afrouxamento das medidas sanitárias pode permitir proliferação fúngica no local.

Os cinco fungos mais perigosos da natureza
Cladophialophora bantiana

É conhecido por ser um fungo que “come” cérebros através de abscessos no sistema nervoso central. Geralmente, eles podem ficar anos escondidos em suas vítimas e só depois provocar sintomas. A taxa de mortalidade é de 60% e pode atingir até pessoas saudáveis. No entanto, é considerado raro.

Candida auris

O fungo gosta de se aproveitar de pessoas com sistema imunológico comprometido e é um dos principais responsáveis por causar surtos em hospitais, por exemplo. Além de ser resistente a diversas drogas, ele é bastante adaptado para sobreviver a temperaturas acima de 37 °C.

Fungo responsável por causar a talaromicose, uma doença infecciosa capaz de levar o indivíduo à morte. Após a tuberculose e criptococose, a condição é a que mais afeta pacientes com aids. No entanto, já houve casos registrados em pessoas sem a síndrome.

Malassezia globosa

É um componente comum da nossa epiderme e chega a fazer parte da nossa microbiota cutânea. Apesar de não ser mortal, é um patógeno capaz de causar dermatites, caspa, psoríase, acne e outras desordens na pele. Em casos mais graves, pode provocar infecções através da corrente sanguínea em imunocomprometidos.

Aspergillus flavus

Pode causar alergias e infecções cutâneas em animais e humanos com sistema imune fraco. Além disso, o patógeno tem grande potencial carcinogênico por produzir aflatoxinas, que são micotoxinas tóxicas que crescem principalmente em grãos.

Por que é tão difícil desenvolver antifúngicos
O grande desafio de quem é infectado por fungos é que o desenvolvimento de antifúngicos ainda é uma missão complicada. Os organismos têm atributos biológicos muito mais semelhantes às células humanas do que bactérias. Assim, fica difícil criar um medicamento capaz de matar o patógeno sem causar toxicidade ao nosso corpo.

“Existem poucas classes de antifúngicos disponíveis atualmente, e a resistência a esses medicamentos vêm aumentando, tanto pelo uso clínico quanto pelo uso intensivo de fungicidas na agricultura”, diz o micologista Santos.
Em comparação com a criação de antibióticos e antivirais, o investimento em pesquisa para o desenvolvimento de antifúngicos historicamente também sempre foi menor.

O outro lado da relação entre fungos e humanos
Apesar de ter exemplares bastante perigosos para a nossa saúde, também há um outro lado da história. Os fungos são essenciais para processos ecossistêmicos fundamentais, como a decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes.

Além disso, eles servem para a produção de medicamentos, alimentos, cosméticos e biotecnológicos. Por exemplo, a penicilina, utilizada para tratar várias infecções bacterianas, tem origem fúngica.

“O desafio, portanto, não é combater os fungos como um todo, mas compreender melhor aquele pequeno grupo de espécies capazes de causar doenças em humanos, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e aumento da população imunossuprimida”, finaliza Santos.

Autor: metrópoles

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