Vai encarar? Cerveja é feita a partir de dejetos suínos

Crédito: Divulgação

Embrapa Suínos e Aves, sediada em Concórdia (SC), desenvolveu uma cerveja artesanal produzida com água obtida a partir do tratamento de dejetos de suínos, em um experimento que mira a sustentabilidade e o reúso hídrico na suinocultura e no agronegócio.

O produto não tem fins comerciais, mas foi criado como prova de conceito para mostrar o potencial tecnológico de transformar um resíduo problemático em recurso de alto valor agregado e seguro para uso, inclusive em aplicações de contato direto com o consumo humano.

O ponto de partida do projeto é o sistema de tratamento de efluentes da suinocultura, capaz de separar sólidos, recuperar energia e nutrientes e gerar uma água que já atende padrões legais para reúso agrícola e descarte em corpos d’água. A partir dessa etapa, os pesquisadores submeteram o efluente tratado a um processo adicional de purificação, com clarificação, filtração e análises rigorosas, até alcançar parâmetros de potabilidade compatíveis com os das estações de tratamento de água convencionais.

Só então essa água foi utilizada na produção de uma cerveja artesanal experimental, em bateladas pequenas, da ordem de dezenas de litros, voltada a degustações técnicas, eventos científicos e ações de comunicação. O objetivo é ilustrar, de forma extrema e didática, a eficiência dos processos de tratamento.

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Reforçando que, do ponto de vista sanitário, a água resultante pode atingir qualidade similar à de fontes tradicionais, desde que submetida a protocolos adequados de controle.

Prova de conceito para economia circular na suinocultura
Embora a “cerveja de dejetos” chame a atenção pela estranheza, a Embrapa enfatiza que o foco central do trabalho é a sustentabilidade da suinocultura, um dos segmentos mais intensivos em uso de água e geração de resíduos no campo. Ao mostrar que a água oriunda dos dejetos pode ser elevada ao padrão de potabilidade, o projeto reforça a lógica da economia circular, em que o que antes era visto como passivo ambiental passa a ser insumo estratégico.

Na prática, a aplicação mais imediata dessa água não é a fabricação de bebidas. Mas o reúso em processos produtivos, como irrigação, lavagem de instalações, resfriamento de equipamentos e até apoio a sistemas integrados, como piscicultura. Em paralelo, o avanço de tecnologias de gerenciamento hídrico já permite reduzir significativamente o consumo de água nas granjas, com ajustes de manejo, equipamentos mais eficientes e reaproveitamento planejado de efluentes, diminuindo custos e pressão sobre os mananciais.

Reúso de água no agro ganha visibilidade
O experimento da Embrapa ocorre em um momento em que o reúso de água ganha importância estratégica no agronegócio, diante de eventos climáticos extremos, competição por recursos hídricos e exigências ambientais mais rigorosas. Embora o Brasil tenha avançado em normas de reúso para contextos urbanos e industriais, o campo ainda carece de marcos regulatórios específicos e claros para a utilização segura de efluentes tratados em diferentes etapas da produção.

Iniciativas como a cerveja experimental ajudam a colocar o tema no centro do debate público. E aproximar a discussão técnica da percepção do consumidor e da sociedade em geral. Ao explorar um exemplo que mexe com o imaginário, como transformar dejetos em cerveja, os pesquisadores abrem espaço para discutir riscos reais, barreiras culturais, limites regulatórios e, principalmente, o potencial de tecnologias limpas para tornar a suinocultura mais competitiva, eficiente e alinhada às demandas de sustentabilidade.

Desafios de aceitação e próximos passos
Se, do ponto de vista científico, o principal desafio é comprovar a segurança e a robustez dos processos de tratamento, na esfera social pesa a resistência à ideia de consumir qualquer produto associado a dejetos, mesmo que a água final seja quimicamente idêntica à de outras fontes. Especialistas em comunicação e percepção de risco apontam que esse tipo de reação é esperada e que a construção de confiança passa por transparência, divulgação de dados e participação de órgãos reguladores.

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Para a Embrapa, a experiência com a cerveja serve também como plataforma para dialogar com formuladores de políticas públicas, indústria, produtores e consumidores sobre a necessidade de atualizar normas, padronizar parâmetros de qualidade e criar ambientes regulatórios que incentivem o reúso seguro. Em um cenário de crescente pressão por eficiência hídrica, projetos que demonstram, na prática, o potencial de tecnologias de tratamento tendem a ganhar espaço. E também influenciar desde investimentos privados até linhas oficiais de crédito e programas de fomento à inovação no agro.

Autor: Agro em campo

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