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Não é amor, é cilada: como fugir de relações abusivas na adolescência
Foto: ARTE/METRÓPOLES

O início das relações amorosas durante a adolescência costuma ser marcado por declarações, descobertas e juras de amor. Mas, em uma outra versão possível da mesma história, também podem acontecer abusos físicos e psicológicos. É comum que, durante este período, os jovens ainda não estejam seguros sobre sua própria identidade e seus desejos e acabem por reproduzir comportamentos consolidados em seu meio social.

Doutora em Antropologia e servidora do Ministério Público, a assistente social Izis Morais Lopes dos Reis, coordena um grupo para atender vítimas de violência doméstica no Recanto das Emas e conta que é comum receber meninas de 16 anos que foram vítimas de agressões. “Como ainda não estão plenamente seguras sobre suas capacidades e habilidades, muitas se envolvem com parceiros que as tratam de maneira depreciativa”, afirma a especialista em questões de gênero.

De acordo com ela, relações desequilibradas entre adolescentes precisam ser alvo do cuidado de todos que estão a volta. Os pais e demais familiares, bem como os professores ou adultos que convivem com o casal de namorados precisam alertar os dois sobre comportamentos inadequados e exigências descabidas. “Muitas vezes não há o discernimento sobre o que é correto ou não, por isso os adultos, que possuem experiência de vida, precisam fazer aconselhamentos”, explica.

Nesta fase da vida, uma situação que costuma causar divergência entre os parceiros é o uso das redes sociais. “A proibição sobre o que eles ou elas vão publicar e sobre com quem vão manter contato é até mais comum do que àquelas brigas sobre o tipo de roupa ou as saídas desacompanhadas”, afirma Izis. O controle das senhas do celular e das redes sociais deve ser um primeiro sinal de alerta tanto para as meninas quanto para os meninos.

Segundo a pesquisadora Véronique Durand, que lidera um curso de pós-graduação para o atendimento de vítimas de violência doméstica na UniRedentor (RJ), é muito importante que os jovens cultivem sua própria individualidade, mantendo os vínculos familiares, o círculo de amigos e os planos futuros. “É preciso estar inteiro consigo mesmo e desconstruir a ideia de que a felicidade precisa ser em um relacionamento a dois”, afirma.

A autoestima e a autoconfiança garantem que a pessoa conheça os próprios desejos e vontades e, desta maneira, torna-se mais fácil impor os limites necessários a qualquer relação. Por conta da cultura machista, entretanto, muitas vezes as adolescentes acabam cedendo às pressões do par amoroso. “As mulheres costumam ser educadas para cuidarem de outras pessoas, suprirem necessidades de outras pessoas. É importante que isso seja repensado para que elas também reconheçam e construam sua autonomia”, completa Véronique.

Delegada da PCDF, Grace Justa costuma ir a escolas falar sobre violência doméstica para adolescentes. Em suas explicações, ela usa a metáfora do pêndulo ou da montanha russa para que eles e elas consigam perceber se estão em um relacionamento abusivo. “Algo está errado se um dia você está no paraíso e no outro, no inferno”, explica. Na opinião dela, a variação de comportamento é um sinal claro de que há desequilíbrio na relação. “Um relacionamento saudável é aquele em que existe o reconhecimento do outro como um ser independente, com vontade própria, amado e respeitado, que precisa ser ouvido e indagado sobre seus desejos”, completa.

Diálogo, empatia e respeito são as características de relacionamentos saudáveis. “A comunicação entre um casal precisa ser desenvolvida, não pode ser uma comunicação violenta. Os parceiros precisam estar afinados em uma escuta ativa, na qual um se esforça para compreender o que o outro está dizendo”, pontua Véronique Durand.

Para incentivar padrões de relacionamento mais saudáveis entre jovens, o Ministério Público de São Paulo lançou uma cartilha destinada a adolescentes intitulada Namoro Legal. Disponível na internet e com linguagem acessível, o material faz alertas sobre comportamentos que podem indicar que a relação é abusiva.

 

POR: Metrópoles
12/08/2019 11:00 / Atualizado 10/12/2019 02:51
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