ITANHANGÁ/MT, 14 de December, 2019.
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Jovem faz cadeira de rodas de bambu para cachorro como TCC
Foto: Divulgação

Amante dos amigos de quatro patas, Lucas Donaduzzi, de 29 anos, adotou, até o momento, 15 cachorros que encontrou machucado ou atropelado pelas ruas de Pato Branco, no sudoeste do Paraná.

Um dos casos o inspirou para o tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): criar uma cadeira de rodas que pudesse ser leve e adaptável para cada cãozinho. A próxima etapa é aprimorar o projeto, com um manual, em uma pós-graduação.

“Meu objetivo nunca foi o de vender a cadeira, mas poder criar e ensinar outras pessoas a fazer o mesmo. Quero uma melhor qualidade de vida para esses cães.”

O despertar para a ideia ocorreu com o acolhimento da Bela, uma chow chow, que foi encontrada abandonada após um atropelamento. Por causa do acidente, segundo Donaduzzi, ela perdeu a locomoção das patas traseiras.

Ele explicou que mesmo com a compra de uma cadeira de rodas, as limitações da cachorra eram grandes.

Bela não resistiu aos ferimentos e morreu seis meses depois da adoção, contou o dono.

Mesmo assim, para ajudar outros cães, Donaduzzi desenvolveu o protótipo da cadeira de rodas em 2018, no último ano de engenharia mecânica, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Pato Branco.

O vira-lata Faísca foi o primeiro a experimentar a criação do estudante, feita de bambu.

Segundo o engenheiro, o cãozinho sobreviveu a uma picada de aranha marrom, mas ficou com uma ferida aberta no local e as patas traseiras perderam o movimento.

"O Faísca tem saúde. Ele queria brincar com os outros cachorros, mas ficava limitado. Quando vi ele brincando com a cadeira, fiquei bem feliz”, contou.

Foram oito meses de desenvolvimento, segundo o engenheiro, e cinco protótipos até o resultado final.

O custo total da cadeira de rodas ficou em R$ 150. Os principais materiais são bambu, linha de nylon e rodas de plástico.

De acordo com o projeto, além do preço, a escolha pelo bambu foi porque o material é uma planta tropical e renovável.

“Se preocupar com eles é um negócio que vem do coração, a gente sente que tem que ajudar os bichinhos", disse.

Melhorias e inclusão

Conforme o engenheiro mecânico, a intenção dele é fazer uma pós-graduação em 2020. Dentro da instituição de ensino, ele disse que pretende melhorar o protótipo.

"O problema dos cães é começar o movimento, se tiver um sistema que ajuda a impulsionar o primeiro movimento isso facilitará a locomoção. Quero implantar um sistema com assistência elétrica", explicou.

Desde o TCC, Donaduzzi disse que quer criar um manual de instruções para a montagem da cadeira de rodas de bambu.

O engenheiro disse que tentou uma vez, mas o primeiro manual não ficou adequado. Por isso, também pretende melhorar a didática e conteúdo do material durante a pós-graduação.

Quero que todos, leigos e aqueles que não têm condição de comprar, possam ler o manual e consigam montar a cadeira para ajudar um cachorro", destacou.

Para o criador do projeto, o resultado e potencial da cadeira de rodas de bambu são gratificantes.

Segundo ele, não foi possível mensurar o número de cachorros debilitados que poderão usar as cadeiras.

Entretanto, envolvido com a causa animal há 7 anos, o engenheiro disse que os números de abandono e atropelamento são grandes. Por isso, muitos cães poderão ser beneficiados com o projeto.

A melhor parte, segundo ele, é ajudar os animais e saber que a retribuição deles não tem preço.

"Principalmente os que estão mais debilitados na rua, eles têm um brilho no olhar. Ele quer te agradar todo dia, quer retribuir e até parece que te diz o quanto está feliz."

POR: G1/PR
14/11/2019 11:06 / Atualizado 13/12/2019 00:36
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